segunda-feira, 16 de abril de 2012

Rio de Janeiro só reaproveita 3% de seu lixo!


Rio de Janeiro sofre com os problemas do lixo

 Por: Clovis Akira
Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, belas praias e paisagens, um verdadeiro cartão postal do Brasil, mas por trás de tanta beleza, a cidade vive um grande problema: – como lidar com a quantidade de lixo espalhada pela cidade?
Conheci o Rio há alguns anos atrás e me assustei com a quantidade de lixo nas ruas. Perguntei ao porteiro do hotel se a companhia de lixo estava em greve, e ele me disse: – que nada, isso aqui é normal, os caminhões nem sempre passam nos dias determinados e o lixo vai se acumulando. Passados alguns anos, vejo que a situação continua a mesma.

Rio só reaproveita 3% das 8,4 mil toneladas de lixo geradas por dia

Cidade que vai sediar a Rio+20, conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, em junho, recicla apenas 3% de seu lixo (252 toneladas das 8.403 geradas diariamente). A Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) tem participação mínima nesse percentual já diminuto: só separa 22,68 toneladas, ou 0,27%. Os outros 2,73% ficam a cargo de catadores autônomos ou de cooperativas.
Com isso, o Rio — que há 20 anos foi anfitrião do maior encontro sobre meio ambiente da História — joga fora uma oportunidade de se equiparar a metrópoles como Berlim e Tóquio famosas por não desperdiçarem seus recursos naturais. Ilustrando com números ascapitais europeias recuperam, em média, 40% de seus resíduos.

Por que os cariocas ainda não têm seu lixo reciclado
Um dos principais motivos é a falta de investimento. Dos 160 bairros da cidade, apenas 41 são atendidos semanalmente, outro dado importante é que não existe coleta seletiva em favelas, deixando cerca de um milhão de pessoas sem o serviço. Há déficit de caminhões e de pessoal, e a topografia irregular das regiões das comunidades mais carentes, impede o acesso dos caminhões, impossibilitando a coleta de lixo.
O poder público tem se esforçado para solucionar esses problemas, mas ainda é insuficiente. No ano passado foi assinado um acordo entre o município e o BNDES, que prevê a construção de seis galpões de triagem de materiais recicláveis, a prefeitura promete também aumentar o número de caminhões em circulação para assim aumentar a área de bairros atendidos. Apesar dos investimentos, a ampliação da coleta seletiva elevará o percentual em 2% passando para 5%, número baixíssimo para uma cidade como o Rio de Janeiro.

Investimentos e Educação

A efeito de comparação o Japão que é um exemplo mundial na reciclagem de lixo reciclou em 2012 77% de seus materiais plásticos, 88% das latas 72% das garrafas pets. Não é mágica, o país passou por um processo de conscientização e grandes campanhas de divulgação, com cartilhas sendo distribuídas à população explicando detalhadamente como separar o lixo corretamente, inclusive sendo impresso em diversos idiomas, pensando no grande número de estrangeiros que vivem no país.
Infelizmente aqui no Brasil, ainda estamos engatinhando na questão de reciclagem, e enquanto não houver grandes investimentos no setor, com subsídios do governo, o sistema dificilmente irá progredir, pois atualmente certos materiais tem um custo mais alto para reciclar do que adquirir matéria prima virgem. Hoje quem ganha um pouco de dinheiro com reciclagem é só o catador de rua, que retira seu sustento enfrentando as piores condições de trabalho, sujeito a acidentes, cortes por cacos de vidro e contaminação, ficando muito longe das condições mínimas de trabalho digno.
Fotos: Comgere G1 / adnuntiatum

HISTÓRIA DAS COISAS - Completo e legendado em português



OLÁ,
você já conhece este vídeo? Não??? Vale a pena ver!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Cidade pequena na Suécia vira modelo na transformação de lixo em energia

http://globotv.globo.com/rede-globo/sptv-2a-edicao/t/edicoes/v/cidade-pequena-na-suecia-vira-modelo-na-transformacao-de-lixo-em-energia/1901313/



Este vídeo me fez pensar porque aqui no Brasil estas iniciativas não acontecem, e nossos dirigentes e políticos são incapazes de atitudes que visem exclusivamente o bem estar da população e não a corrupção e o desvio de verbas astronômicas para seus bolsos e contas em paraísos fiscais. Se houvesse mais honestidade e preocupação com a qualidade de vida da população, talvez a própria população pudesse colaborar e tornar realidade casos de sucesso como este do vídeo. Viva a educação da Suécia!!!!!!

Rio desperdiça 30% da água tratada, diz presidente da Cedae


Às vésperas da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), que discutirá em junho temas de sustentabilidade como a proteção dos recursos hídricos, a água ainda é um bem pouco valorizado no Rio de Janeiro, Estado-sede do encontro.
De cada 100 l de água tratada, 30 l são desperdiçados entre a captação e o destino final, na torneira dos consumidores. A estimativa é do presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Wagner Victer, que aponta como principais causadores de desperdício o furto de água, as perdas ao longo da rede e o erro de medição por hidrômetros antigos.
"Os dados (de perda de água) estão na ordem de 30%, mas se reduziram profundamente segundo os últimos levantamentos. Nós temos hoje um combate muito forte à fraude, ao roubo e ao desvio da água", disse Victer nesta quarta-feira, durante a abertura de uma feira de empresas de saneamento.
Segundo números da Cedae, em 2007 o índice de desperdício era mais alto, na faixa dos 50%. Entre as ações que ajudaram a melhorar a situação estão as frequentes operações contra o furto. Nos últimos cinco anos foram flagradas em todo o estado cerca de 8 mil ligações clandestinas de água. O resultado foi o pagamento de R$ 20 milhões em multas e o encaminhamento dos responsáveis às delegacias de polícia.
O perfil dos fraudadores da rede de água foi um fator que chamou a atenção da companhia, que encontrou casos de grandes empresas, indústrias, condomínios de luxo e hospitais particulares
.
 
Agência Brasil

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Fungos destroem milhões de toneladas de alimentos por ano


Muito resistentes e geralmente virulentos, os fungos não só destroem culturas, mas também florestas e centenas de espécies animais e constituem, portanto, uma ameaça crescente para a segurança alimentar e a biodiversidade, alertam os pesquisadores em um estudo publicado nesta quarta-feira na revista britânicaNature. Segundo o estudo, as "doenças fúngicas" provocam a cada ano a destruição de pelo menos 125 milhões de toneladas das cinco principais plantações: arroz, milho, trigo, batata e soja.Sem os estragos provocados por fungos de todos os tipos, poderíamos alimentar mais de 600 milhões de pessoas, ressaltam os pesquisadores britânicos e americanos. De acordo com seus cálculos, estas doenças fúngicas representam um déficit de 60 bilhões de dólares por ano apenas para as culturas de arroz, trigo e milho.Além da agricultura, a brusone do arroz, a mancha foliar do trigo e a ferrugem do milho afetam também todo o ecossistema global. Novos tipos de fungos também se multiplicam com facilidade em uma variedade de espécies animais, o que ameaça de extinção mais de 500 espécies de anfíbios, abelhas, tartarugas e até mesmo corais. Na América do Norte, a "síndrome do nariz branco", uma doença causada pelo fungo "Geomyces destructans", matou desde 2006 cerca de 6,7 milhões de morcegos em 16 estados dos Estados Unidos e quatro províncias canadenses. Uma bênção para os insetos de que os morcegos se alimentam e que passam a ter carta branca para atacar colheitas e humanos."O aumento alarmante da destruição de plantas e animais causada por novos tipos de doenças fúngicas mostra que estamos indo a toda velocidade em direção a um mundo onde o 'podre' é o grande vencedor", acredita o Dr. Matthew Fisher, da Escola de Saúde Pública do Imperial College, em Londres.Segundo o estudo liderado pelo Dr. Fisher, quando a doença infecciosa erradica uma espécie, vegetal ou animal, em 70% dos casos há uma nova espécie de fungo por trás. Alguns fungos realmente não devem nada às bactérias ou vírus, com taxas de mortalidade que podem chegar aos 100%. Ao contrário das bactérias, os fungos também são capazes de sobreviver por muito tempo fora de seu hospedeiro, o que lhes permite uma propagação por grandes distâncias. "Os fungos constituem a maior parte de biomassa viva do ar, cada respiração humana contém em média entre um e dez esporos", revela o estudo.A história está repleta de exemplos da devastação causada por um pequeno foco de fungos: a Grande Fome na Irlanda em 1845 causada por mofo, a castanha americana dizimada por um fungo asiático e ainda as caixas de madeira italiana que trouxeram o polypore do pinho para os Estados Unidos.O crescimento do comércio e transporte agravou esta tendência e os autores do estudo alertam para controles mais rígidos em escala global para controla a propagação.As mudanças climáticas teriam algum papel neste cenário, já que os fungos gostam de calor e umidade? Os parâmetros são tão complexos que uma causa e efeito ainda não foi formalmente estabelecida.É certo, no entanto, que as doenças fúngicas têm um impacto sobre o clima: entre 230 e 580 megatoneladas de CO2 são lançados na atmosfera, em vez de serem absorvidas pelas árvores destruídas por fungos, calcula o estudo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Paixão de Cristo – Paixão da Terra - 06/04/2012




Leonardo Boff
Para os cristãos a Sexta-feira Santa celebra a Paixão do Filho do Homem. Ele não morreu. Foi morto em consequência de uma prática libertadora dos oprimidos e de uma mensagem que revelava Deus como “Paizinho”(Abba) de infinita bondade e de ilimitada misericórdia que incluía a todos até “os ingratos e maus”. Antes de ser executado na cruz, foi submetido a todo tipo de tortura. Segundo alguns intérpretes sofreu até abuso sexual.
Como referem os relatos do Novo Testamento, usando palavras do profeta Isaias, “foi considerado a escória da humanidade, o homem das dores, pessoa da qual se desvia o rosto, desprezível e sem valor, tido como castigado, humilhado e ferido por Deus; mas ele, justo e servo sofredor, se ofereceu livremente para ficar junto aos malfeitores, tomando sobre si crimes e intercedendo por todos nós”.
Desceu até o inferno da solidão humana, gritando nos extertores da cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste”? Porque desceu até ao mais profundo, Deus o elevou até ao mais alto. É o significado da ressurreição, não como reanimação de um cadáver, mas como uma revolução na evolução, realizando nele, antecipadamente, todas as potencialidades escondidas no ser humano. Ele irrompeu como criatura nova, mostrando o fim bom de todo o processo evolucionário.
Mesmo assim, como dizia Pascal, Cristo continua em sua paixão,agonizando até o fim do mundo, enquanto seus irmãos e suas irmãs, a Terra que o viu nascer, viver e morrer, não forem finalmente resgatados. Já dizia a mística inglesa Juliana de Norwich (1342-1413): “ele sofre com todas as criaturas que sofrem no universo”. Outro contemplativo inglês, William Bowling, do século XVII, concretizava ainda mais afirmando:”Cristo verteu seu sangue tanto para as vacas e os cavalos quanto para nós homens”.
Hoje a paixão de Cristo se atualiza na paixão do mundo, nos milhões e milhões de sofredores, vítimas de um tipo de economia que dá mais valor ao vil metal que à dignidade da vida, especialmente da vida humana. O Cristo se encontra crucificado na Terra devastada; suas chagas são as clareiras de florestas abatidas; seu sangue são os rios contaminados.
A rede de organizações que acompanham o estado da Terra, a Global Footprint Network, revelou no dia 23 de setembro de 2008, exatamente uma semana após o estouro da crise econômico-financeira que, neste exato dia, se tinham ultrapassado em 30% os limites da Terra. Chamaram-no de The Earth Overshoot Day: o dia da ultrapassagem da Terra. Esta notícia não ganhou nenhum destaque nos meios de comunicação, ao contrário da crise financeira que até hoje ganha a primeira página.
Com esta ruptura, a Terra já não tem condições de repor os bens e serviços necessários para a manutenção do sistema-vida. Em outras palavras, a Terra perdeu a sustentabilidade necessária para a nossa subsistência. Por causa disso, milhões e milhões de seres humanos são condenados a morrer antes do tempo e entre 27-100 mil espécies de seres vivos, segundo dados do conhecido biólogo Edward Wilson, estão desaparecendo a cada ano. Este fato inaugura aquilo que alguns cientistas já denunciaram como sendo uma nova era geológica. Foi chamada de antropoceno, na qual o grande meteoro rasante e destruidor da natureza é o ser humano.
Com sua voracidade e obsessão de crescer mais e mais para consumir mais e mais está se transformando numa força avassaladora dos ecossistemas e da Terra como um todo. Comparece como o Satã da Terra quando deveria ser seu anjo da guarda.
A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, organizada pela ONU entre os anos 2001-2005, envolvendo cerca de 1.300 cientistas do mundo inteiro, além de outras 850 personalidades das várias ciências e da política, concluíram que dos 24 serviços ambientais essenciais para a vida (água, ar puro, climas, alimentos, sementes, fibras, energia e outros) 15 deles se encontravam em processo acelerado de degradação. Quer dizer, estamos destruindo as bases físico-químico-ecológicas que sustentam a vida sobre o planeta.
Agora não dispomos mais uma Arca de Noé que salve alguns e deixe perecer os demais. Desta vez, ou nos salvamos todos ou todos corremos o risco de perecer.
Neste contexto vale recordar as sábias palavras do Secretário Geral da ONU Ban Ki Moon, proferidas no dia 22 de fevereiro de 2009 referindo-se à crise econômico-financeira em relação à crise ecológica:”Não podemos deixar que o urgente comprometa o essencial” É urgente encontrar um encaminhamento à crise dos mercados e das finanças, mas é essencial garantir a vitalidade e a integridade da Terra. Sem esta salvaguarda, qualquer outra iniciativa ou projeto perdem sua base de sustentação.
Temos que transformar a paixão da Terra num processo de sua ressurreição na medida em que suspendermos a guerra total que movemos contra ela em todas as frentes. Isso somente se alcançará refazendo o contrato natural que se funda da reciprocidade: a Terra nos dá tudo o que precisamos para viver e nós lhe retribuímos com cuidado, respeito e veneração, pois é nossa grande e generosa Mãe.
Esta é o desafio e a mensagem que cabe assumer na Sexta-feira Santa do presente ano de 2012.
Leonardo Boff é ecoteólogo e da Comissão Central da Carta da Terra.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Escolas são permissivas frente a ações empresariais de educação ambiental



Por Maria Teresa Manfredo 


As escolas não estão preparadas para exercer sua autonomia diante das inserções empresariais de educação ambiental no processo escolar. É o que afirma Carolina Messora Bagnolo em sua tese de doutorado, defendida no dia 30 de janeiro na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Num contexto de globalização, em que houve o crescimento das empresas no cenário mundial, ferramentas persuasivas como o discurso da responsabilidade social empresarial, ajudariam a legitimar a presença das organizações em espaços como a escola, por exemplo. Assim, estas têm sido cada vez mais alvo de iniciativas de empresas no campo da educação ambiental (sobretudo na região sudeste do país).

Através da observação de aulas, entrevistas, análise de documentos das escolas e de seus projetos político-pedagógicos, a pesquisadora identificou e analisou os sinais de resistência e/ou permissividade das escolas municipais de Mogi-Guaçu-SP. Nesse município as empresas costumam levar para as escolas, em alguns momentos do ano, materiais impressos e audiovisuais, jogos, atividades, palestras, teatros, buscando apresentar informações específicas na área de educação ambiental (reciclagem, biomas, agrotóxicos, entre outros). Também promovem atividades de capacitação para professores.

Bagnolo partiu da hipótese de que as escolas podem reproduzir o discurso e a prática pedagógica das empresas como uma imposição arbitrária de valores e normas de um determinado grupo ou classe; ou, resistir a essas iniciativas, exercendo sua capacidade crítica diante da realidade, através da mediação de ações (no cotidiano escolar e no currículo), filtrando, assim, os desígnios do poder e do controle externo.

Questão ambiental não é tópico individual

As escolas analisadas praticariam o que Bagnolo chama de uma educação ambiental adestradora, insistindo basicamente em posturas tidas como ambientalmente corretas e na idéia de reducionismo. Não trabalhariam a questão ambiental como algo complexo que atravessa o plano político, econômico, cultural. É o que a pesquisadora chama de despolitização da educação ambiental: “Acaba que a questão do meio ambiente fica girando num debate que o tempo todo responsabiliza o indivíduo pela atual situação, esquecendo que estamos tratando, antes de tudo, de uma questão social, no sentido amplo dessa palavra”, afirma.

Nos materiais disponibilizados pelas empresas para as escolas ocorreria a supervalorização do trabalho e da função das corporações na sociedade.
Os depoimentos dos docentes, coletados por Bagnolo, demonstram que estes enxergam uma superioridade dos conteúdos e conhecimentos produzidos pelas empresas. Além disso, as escolas parecem não se dar conta de que se trata de um material produzido a partir do ponto de vista da empresa, sem que haja a construção deste conhecimento junto ao professor.

Sem neutralidade nos objetivos

Bagnolo lembra que o trabalho de educação ambiental desenvolvido pelas empresas não é neutro, pois possui concepções diversas de educação, ambiente, sociedade, cultura. Desse modo, as ações empresariais nas escolas possuem objetivos que vão muito além da divulgação da educação ambiental: “contribuem, sobretudo, para moldar gostos e consumos, como também visões de mundo e de sociedade.”

Porém, a pesquisadora alerta que na relação empresa-escola a empresa não exerce o papel de vilã por imprimir seu estilo de atuação e sua ideologia, “devemos lembrar que, por mais que concordemos ou não com estas ações, a empresa está cumprindo o papel social que poderíamos dela esperar: propagando, em última instância, a continuidade ou o não-questionamento do modo de produção capitalista”, pondera.

O problema estaria, pois, no despreparo da escola em filtrar as ações que lhe batem à porta.

A pesquisadora também constatou a pouca atuação dos órgãos públicos na condução da educação ambiental, seja em nível federal, estadual ou municipal. Também, as universidades seriam pouco citadas nesse contexto, deixando visível o distanciamento entre o conhecimento produzido na universidade e a realidade escolar.

Bagnolo identificou também a ausência de mecanismos governamentais que regulem a penetração das empresas no processo escolar. Tudo isso “demonstra uma fragilidade da escola em desenvolver seus trabalhos de educação ambiental, necessitando de um suporte. É a partir dessa lacuna que as empresas entram em cena, e não de maneira despretensiosa ou inocente”, elucida.

As escolas não esperam do Estado a responsabilidade que lhe compete e, por isso, mesmo que de forma implícita, acreditam que a educação ambiental estaria a cargo das empresas. Tornam-se, portanto, vulneráveis às iniciativas externas e incapazes de exercer criticamente seu papel social.

A maneira como a educação ambiental vem sendo absorvida no processo escolar expressaria as deficiências crônicas e profundas na formação do professor e na atuação do Estado na educação pública.

Marketing verde e a propaganda ecológica


 


Por Antônio Fernando Guimarães
10/03/2012
A preocupação com o meio ambiente levou a uma modificação no perfil do consumidor e no seu padrão de escolha de um produto ou serviço no mercado. Para determinados segmentos de mercado, o consumidor se tornou mais crítico na escolha do produto ou serviço, assim como também se tornou mais cético em relação ao teor das mensagens criadas pelos anunciantes para promover os atributos ecológicos de seus produtos, ou ao comprometimento da empresa em relação à preservação do meio ambiente.
Mais e mais empresas se dedicam a promover seus produtos ou serviços utilizando-se de apelos ecológicos para motivar seus consumidores a adotar seus produtos e, mais que isso, para mostrar ao público em geral uma imagem de empresa consciente e ecologicamente correta nas suas atividades gerais.
Considerando-se a grande e rápida modificação do ambiente competitivo das empresas nas últimas décadas, quanto aos aspectos culturais, sociais, políticos e econômicos, essas empresas têm, em sua maioria, procurado se adaptar de modo a satisfazer as necessidades dos consumidores.
Sob esse enfoque, a crescente preocupação mundial com os problemas ecológicos tem pressionado as corporações a dar maior importância a esse tema, não só em suas atividades operacionais, mas também no desenvolvimento de seus produtos e serviços e em sua estratégia de comunicação com o mercado, por meio das suas campanhas de propaganda e publicidade.
Nos últimos 20 anos, percebeu-se um aumento na intenção da população em dar suporte às atividades de proteção ao meio ambiente. Apesar de uma pequena variação nesse comprometimento, em alguns países, o movimento ecológico ou ambiental é um dos mais importantes movimentos sociais da história recente.
Algumas pesquisas; em nível nacional (Santos Mazon, 1995) e internacional (Roper, 1992), indicaram essa preocupação com as atividades das empresas, não só em termos dos métodos de fabricação dos seus produtos, mas também com relação ao impacto dos produtos no meio ambiente.
Um maior número de profissionais de marketing está concentrando sua atenção no "segmento ecológico" da população. Papel, plástico e alumínio reciclados, produtos livres de ozônio e com baixos teores de enxofre, são tipos de produtos posicionados com base no apelo ambiental.
Como o interesse por produtos ecologicamente corretos tem aumentado e também tem aumentado o interesse do público em geral em conhecer e identificar empresas que se dediquem a não comprometer o meio ambiente, as empresas têm procurado mostrar suas ações por meio da propaganda utilizando-se de apelos ecológicos que são relativamente novos na propaganda brasileira.
Diante dessa preocupação ambiental, que extrapola causas locais e permeia segmentos, como financiadores e consumidores/clientes, as empresas buscam adaptar sua gestão para atender às crescentes demandas de mercado.
Percebe-se, então, uma tendência de avanço na direção da: a) preocupação desde os estágios iniciais do desenvolvimento do produto e do processo de produção; b) integração da gestão ambiental à gestão do negócio, usando como modelo já consagrado os sistemas de gestão do negócio ambiental de acordo com as normas vigentes; c) visão holística do ciclo de vida do produto; e d) busca de certificações e parcerias com entidades independentes, de modo a dar a validade e credibilidade necessária.
O conceito da informação ecológica sobre o produto
O conhecimento do consumidor com relação à qualidade do produto, tradicionalmente, tem sido focalizado nos aspectos de qualidade técnica e de uso, tais como, a funcionalidade, facilidade de uso e durabilidade.
Após anos de ampla discussão na mídia acerca de problemas ecológicos relacionados aos produtos de consumo, os consumidores estão se conscientizando de que o uso e a disposição de produtos, assim como sua produção e distribuição, potencialmente, podem afetar sensivelmente o meio ambiente.
A persuasão é a essência da comunicação de marketing. Os comunicadores de marketing, junto com pessoas que desempenham papel fundamental na persuasão do consumidor (teólogos, professores, artistas, políticos etc) tentam orientar as pessoas à aceitação de algumas crenças, atitudes ou comportamentos, ao utilizar apelos racionais ou emocionais
Hoje, diversas empresas já assumiram o compromisso de adequar seus produtos e processos de produção, tornando-os mais limpos e adotando um gerenciamento ambiental planejado e organizado.
Muito se fala que as melhorias ambientais e a preocupação com o meio ambiente acabam se refletindo na imagem da empresa perante o mercado e, logicamente, acaba representando uma oportunidade econômica e competitiva para as empresas. Verifica-se, portanto, que as atividades de marketing que apelam para as sensibilidades ambientais se tornam fatores importantes no posicionamento da empresa e, nesse caso, a propaganda é um fator fundamental na comunicação do marketing verde.
Em minha tese de doutorado – "Marketing verde e a propaganda ecológica: Uma análise da estrutura da comunicação em anúncios impressos" (FEA-USP) – apresento o resultado de uma pesquisa realizada com anúncios publicados na mídia impressa. Essa pesquisa mostra como empresas de segmentos de mercado distintos utilizam apelos ecológicos para se comunicar com seu público-alvo e, assim, apresentam-se como empresas ecologicamente corretas.
A maioria dos anunciantes (77%) declara ser fabricante do produto anunciado. Porém, somente 7%, efetivamente, promove os atributos ecológicos específicos desses produtos; mas nenhuma delas discute, com clareza, quais os benefícios ecológicos reais que o consumidor pode usufruir quando da utilização do referido produto.
Uma grande parte (60%) se preocupa unicamente em trabalhar a imagem corporativa, apresentando-se como uma empresa ecologicamente correta e que se dispõe a desenvolver esforços para auxiliar na preservação do meio ambiente.
Um terço dessas empresas (33%) se preocupa em mostrar para o público-alvo os atributos ecológicos específicos do produto, associando-os à imagem da empresa e enfatizando, assim, a demonstração de uma imagem de empresa ecologicamente correta.
Fato que chamou a atenção foi o fato de apesar de 77% dos anunciantes declararem serem fabricantes dos produtos anunciados, somente 37% utilizou apelos racionais em seus anúncios.
Quase a metade dos anunciantes (47%) estruturou sua mensagem de comunicação com base numa composição de apelos racionais e emocionais, na tentativa de persuadir o consumidor a diferenciar sua empresa das demais concorrentes.
Outra variável que teve um peso significativo na análise dos anúncios foi a variável que levava em conta os benefícios ecológicos do produto e o comprometimento real da empresa em atividades específicas de proteção ao meio ambiente. Cinquenta e três por cento delas estabeleceram, claramente, a ligação entre o produto fabricado e a preservação do meio ambiente. O restante das empresas respondentes (47%) se preocupou em demonstrar somente seu comprometimento em ações específicas de proteção ambiental, sem uma ligação direta dessas ações com os produtos fabricados. Nenhuma das empresas pesquisadas utilizou-se do meio de comunicação para enfatizar, especificamente, somente os benefícios ecológicos dos produtos fabricados.
A partir desses dados verificou-se que as empresas analisadas, não se diferenciam entre si, fato este que pode levar os consumidores a adotar um comportamento inerte, ou seja, a percepção do consumidor pode ser a de que essas empresas são todas iguais, falam sempre a mesma linguagem, logo, não se diferenciam em nada em relação às demais que estão no mercado.
Para se ter uma ideia da grande confusão que se desenvolve na mente do consumidor, o quadro abaixo apresenta uma mapa perceptual onde nos clusters (conjunto de empresas que apresentam a mesma característica ou o mesmo perfil considerado no estudo realizado) se nota a presença de empresa de atividades as mais diversas possíveis, mas que utilizam os mesmos apelos ecológicos.
http://www.labjor.unicamp.br/comciencia/img/rio+20/ar_antonio/img1.png
Duas décadas após a Rio-92, nos preparamos para mais um encontro a Rio+20, onde novamente as pessoas discutirão formas de desenvolvimento sustentável e proteção ao meio ambiente. Nessas décadas passadas muito se fez em prol da sustentabilidade, mas muito ainda há o que fazer.
Com relação à reciclagem das latinhas de alumínio, o Brasil é líder mundial há dez anos consecutivos: aqui 97,6% delas são reaproveitadas segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Com relação às garrafas de PET, 55% dessas embalagens são recicladas o que coloca o Brasil como o segundo país no mundo que mais recicla essas garrafas; atrás do Japão (78%) e bem à frente dos Estados Unidos (28%).
Dados de uma pesquisa do Ibope aponta que 63% dos brasileiros estão dispostos a mudar seu estilo de vida para não prejudicar o meio ambiente e que 71% pagariam mais por produtos ecologicamente corretos.
O mercado de produtos ecológicos no Brasil está ainda engatinhando, mas tem um grande potencial de crescimento, pois as estatísticas mostram que, cada vez mais, o consumidor brasileiro aposta no produto ecológico na hora de fazer suas compras. O que precisa é uma maior concientização desse consumidor a respeito desse assunto. Nesse sentido as empresas, em geral, devem ser responsáveis pela divulgação na mídia das características ecológicas dos seus produtos, orientando adequadamente o consumidor com relação aos aspectos ecológicos do seu produto.

Antônio Fernando Guimarães tem formação em engenharia mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é mestre e doutor em administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). É, também, professor e pesquisador do Centro Universitário Ítalo Brasileiro (UniÍtalo) na área de marketing com concentração no marketing ambiental, comportamento do consumidor, empreendedorismo e administração estratégica.

Uma linda Ecopoesia da amiga Maria!